Acordo de paz na Colômbia: Nom as entreguem!

 

 

Narciso Isa Conde
Primeira Linha

 As FARC-EP nom podiam obviar o anseio de paz de seu povo ante o impacto desgarrador de umha guerra que dura mais de 60 anos. Esse anseio tocou o seu coraçom.

Com a fortaleza do nom derrotado -nem sequer após o derrube do socialismo real- as FARC figéram bem em tentar esse objetivo, recorrendo a um novo diálogo de paz com um regime em sérias dificuldades, erodido polas suas políticas neoliberais, o terrorismo de Estado e o engendro narco-paramilitar.

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Depois do 25 de Abril venezuelano caminhamos para o seu 25 de Novembro?

 

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 113

 Há na corrente trotskista, como se sabe, as mais díspares posições quanto ao “chavismo”, desde os fortemente críticos aos francamente entusiastas, como é o caso de Alan Woods, autor do artigo “Os marxistas e a revolução venezuelana”. Com extensas citações de Trotsky e do falecido teórico Ted Grant, que fundou o grupo inglês The Militant, Woods procura demonstrar o papel original de Hugo Chávez no movimento revolucionário venezuelano. Interessa sobretudo neste caso é a comparação que o autor faz com o processo revolucionário em Portugal.

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A revolução que não pôde ser socialista

 

 

Francisco Martins Rodrigues
Publicado no n. º 61 da revista Política Operária, Set/Out 1997

 Há os que amaldiçoam a revolução russa como “totalitária”, há os que a idealizam como a aurora do socialismo – é mais que tempo de uma visão realista da sua grandeza e dos seus limites históricos.

Durante um debate recente promovido pelo colectivo Emancipação do Trabalho, vários camaradas mostraram-se chocados com a afirmação de que a revolução russa não foi nem podia ter sido socialista; alguns julgam mesmo ver nisto um abandono das nossa antigas lutas, uma concessão às campanhas burguesas que visam enterrar a revolução e o leninismo. Volto por isso ao tema, só para sistematizar algumas ideias gerais, já expostas mais desenvolvidamente numa série de artigos anteriores nesta revista.

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Regresso ao lar

 

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 1, Set-Out 1985

  O SOCIALISMO QUE EU VIVI — Cândida Ventura, Edições “o jornal”, 1984. Ainda vale a pena discutir o testemunho de Cândida Ventura sobre a sua publicação passado um ano? Cremos que sim, porque se integra numa corrente muito em moda entre certa intelectualidade que pretende enobrecer a sua adesão à social-democracia invocando os desapontamentos lhe foram causados pelo comunismo” de estilo soviético. Finta ideológica que ilude não poucos operários e que merece ser analisada.

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Pátria

 

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 3, Jan-Fev de 1986

 Sem dar por isso, eu tinha-me deixado contagiar pela indiferença cínica do homem da rua acerca da CEE: “Mais um negócio graúdo para ser pago dos nossos bolsos…” Quando vi o prof. Cavaco a falar das caravelas e do cabo Bojador é que caí em mim. Vivemos o maior desafio da nossa história multissecular. Acabou a estreiteza arcaica das fronteiras nacionais. Os grandes espaços europeus são agora a nossa Pátria. Vamos modernizar a economia, redimensionar as empresas, viver melhor, sair desta pasmaceira. É claro, há sempre os velhos do Restelo que ficam na praia a adivinhar desgraças. Não conseguem acompanhar a evolução dos tempos. Também, diga-se em abono da verdade, o ideal da Pátria avança a velocidade tão vertiginosa que dá para baralhar a cabeça a qualquer um.

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Monsanto

 

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 2, Nov-Dez de 1985

 OS JORNAIS desfiam longas listas de provas esmagadoras contra os acusados das FP 25: atentados, assaltos, homicídios, documentos falsos. Dos homens que se sentam no banco dos réus, ninguém consegue distinguir os idealistas dos aventureiros, dos marginais, ou dos provocadores da polícia. De tal maneira que as boas almas que protestavam contra as irregularidades do processo já não sabem o que dizer. Então não era tudo afinal uma cabala monstruosa? Como pôde Otelo meter-se com tal gente?

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Diplomacia em Quito

 

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 6, Set-Out, 1986

Profundas divisões, quer tácticas e estratégicas, quer de princípios fraccionam hoje a chamada corrente M-L, de tal forma que é difícil, numa primeira análise, considerá-la como um todo. Abordámos já divergências que nos separam radicalmente do Partido do Trabalho da Albânia e do Partido Comunista do Brasil[1], publicámos também largos extractos de documentos dos Partidos ML dos Estados Unidos, Japão e Nicarágua, partidos que se reclamam desta corrente mas que, a nosso ver, levantam (ou levantaram) questões que nos parecem de maior interesse para o movimento revolucionário[2], Iremos aqui abordar o documento mais recente que nos chegou desta corrente, aprovado em Outubro de 1985, numa reunião multilateral em Quito (Equador): “Proposta para a discussão das tarefas dos partidos marxistas-leninistas na aplicação do internacionalismo proletário”.[3]

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Staline de novo

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º89

Ao passar meio século sobre a morte de Staline, a grande imprensa portuguesa usou mais uma vez o assunto como pretexto para tentar enterrar a revolução russa, o movimento comunista e as ideias do comunismo. Staline foi “um dos monstros mais sinistros do século XX”; o stalinismo foi a “consequência inevitável da teorização leninista do marxismo”; a “dimensão demencial, paranóica, de uma brutalidade assassina” de Staline foi uma forma extrema de uma bestialidade que esteve e está presente em todos os países de governo comunista. Etc., etc.

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