Mortos de segunda

 

Tiro ao Alvo
Francisco Martins Rodrigues

 Os mortos da Roménia, como os de Tienanmen, foram min­guando: começaram em 70 mil, baixaram para 10 mil, dois mil, e acabaram em 763, segundo as contas dum ministro francês, reprodu­zidas pelo Libération de 28 de Dezembro. Os mortos do Panamá, pelo contrário, começaram por escassas dezenas, quase uma brinca­deira, subiram às centenas, e acabaram calculados pela Time em dois mil. Ainda estamos para saber ao certo quantos foram.

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Revolução com rédea curta

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 23, Jan-Fev 1990

 Os movimentos populares que abalam as cidades do Leste europeu têm um carácter revolucionário, ou representam a rendição ao capitalismo e ao imperialismo, de milhões de trabalhadores desmoralizados pela miserável caricatura de socialismo que lhes fizeram sofrer? No momento em que a queda dos regimes abortivos da Europa Oriental dá novo curso às mistificações democrático-burguesas, parece-nos oportuno reproduzir um extracto do livro de Francisco Rodrigues Anti-Dimitrov, publicado em 1985 (capítulo 7: O centrismo no poder). É um elemento para o debate que é preciso travar.

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Os últimos dias do cunhalismo

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária  n.º 23, Jan-Fev 1990

 Aproxima-se o momento em que a resistência encarniçada de ÁIvaro Cunhal não conseguirá suster por mais tempo a onda “renovadora ”. O próximo congresso promete tornar-se um marco na ruptura do “comunismo ” reformista português em dois ramos, mesmo que formalmente Cunhal saia pela última vez vitorioso. Divulgamos aqui algumas passagens dum livro a editar brevemente.

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PC vai acabar no PS ?

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 22, Nov-Dez 1989

Notas sobre uma batalha pouco gloriosa

Perante a nova ofensiva dos ‘críticos’, Álvaro Cunhal diz que está a favor da perestroika, da verdadeira, que reforça o socialismo, e contra as deturpações anti-socialistas da perestroika. Mas só ele é que vê essa diferença…

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A luta contra a quadrilha cavaquista deve minar a ordem capitalista

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 20, Maio-Junho 1989

(na sessão de apresentação da Frente da Esquerda Revolucionária na Voz do Operário em 24 de Abril de 1989)

Depois que esta intervenção foi feita, a FER faliu. Por isso mesmo pode ter interesse recordar algumas posições que já então foram definidas em contraponto à tendência dos trotskistas de dar um tom reformista à campanha e de adoçar as posições mais contundentes que a OCPO vinha defendendo.

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Mao nunca foi comunista?

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 21, Set-Out 1989

 Pouco ou nenhum entusiasmo despertou entre as forças de esquerda o 40.° aniversário da vitória da revolução chinesa. O descalabro do maoísmo foi tão estrondoso que hoje ninguém dá nada pelas ideias políticas de Mao, nem pela revolução que ele dirigiu. Por nós, somos críticos do maoísmo mas não concordamos com esta atitude que acaba por deitar para o lixo as experiências duma revolução gigantesca que mudou a face do mundo.

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Notas soltas (inacabadas)

Francisco Martins Rodrigues

Staline, o partido e as massas, socialismo

Ao tomar como referência a política stalinista, bloqueámos, durante décadas (não anos, mas décadas!) a resposta marxista revolucionária ao revisionismo que vinha gangrenando o movimento comunista. Construímos uma corrente cujo “marxismo-leninismo” era um arremedo grosseiro, com as proclamações e citações dogmáticas a servir de capa ao espírito de seita e a um oportunismo rasteiro, que em breve naufragou num reformismo semelhante ao do PC. Faça-se o balanço da política do defunto PC(R) e o que encontramos como apuramento da acção de tantas centenas de militantes esforçados e entusiastas? Esterilidade senil na ideologia, reformismo “democrático-popular” na política, espírito de seita na organização.

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25 de Novembro, o golpe fácil

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 102

 Os generais novembristas falam acerca do seu golpe. Agora que já lá vão 30 anos, Ramalho Eanes, Loureiro dos Santos, Jaime Neves, Tomé Pinto & Cia. contam (quase) tudo sem complexos, garantindo com a maior desfaçatez que só agiram por amor à Pátria e “dentro da legalidade”. Vale a pena vencer a repugnância que despertam as suas gabarolices e as suas proezas de meia tigela, e tomar nota de alguns pormenores instrutivos, que desmentem a lenda do “contragolpe democrático, necessário para fazer face ao golpe extremista da esquerda”.

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