Pode o socialismo evaporar-se?

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 34, Mar-Abril 1992

É hoje opinião quase geral que o socialismo existia de facto na União Soviética e era tão mau que foi rejeitado pela massa da população. É uma ideia absurda, mas compreensível: para o senso comum, terra onde não há patrões deve ser socialista e em socialismo tudo corre mal, porque a busca do lucro é própria da natureza humana…

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“Para o Golfo e em força”, a última palhaçada dos socialistas lusitanos

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 26, Set-Out 1990

 Abençoada crise do Golfo que põe a claro os verdadeiros alinhamentos na política nacional! O esforço penoso que o PS tem vindo a fazer para encontrar pontos de demarcação com o governo (eleições, a quanto obrigais!) teve que ser interrompido. Chegou um daqueles momentos sagrados em que o patriotismo exige a “convergência nacional”.

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Dez verdades incómodas

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 25 Maio-Junho 1990

De ano para ano, à medida que o grande medo do “anarco-populismo” vai ficando mais longínquo e que a burguesia se reconforta com a ideia de que a sua lei é eterna, as celebrações do 25 de Abril vão ficando mais cinzentas, a participação popular mais amorfa, os discursos dos políticos mais bafientos. Agora, que tudo voltou à “normalidade”, vende-se em doses industriais a versão oficial do 25 de Abril. A saber: o restabelecimento das liberdades, objectivo do movimento militar, chegou a estar ameaçado pela “tentação totalitária marxista”, mas a democracia acabou por triunfar sobre as “miragens da falsa propaganda”, graças à corajosa acção das forças democráticas e do sector são das Forças Armadas.

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O Congresso está ganho. O pior agora é explicar a “perestroika”

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 25 Maio-Junho 1990

 Os dirigentes do PCP devem estar satisfeitos: o XIII congresso do partido, há dias terminado em Loures, cumpriu os objectivos traçados. Atalhou o perigo de pânico e debandada devido à derrocada do Leste, convencendo os militantes de que foi só um acidente de percurso, grave mas ultrapassado; preparou a sucessão de Álvaro Cunhal com uma figura neutra, capaz de atenuar tensões internas; e cilindrou mais uma vez as veleidades dos críticos, devolvendo a confiança aos militantes que começavam a intimidar-se com a algazarra geral a favor da mudança.

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“Cunhal está perdido” — previa há 25 anos “Revolução Popular”

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 24, Mar-Abr 1990

“A corrente revisionista está perdida porque trocou o caminho da condução da luta revolucionária de classe do proletariado pelo caminho da conciliação de classes e do abandono da revolução”. Esta previsão, feita no n.° 1 de Revolução Popular, em Outubro de 1964,* deve ter sido considerada pelos poucos que na altura dela tomaram conhecimento como uma irreverência esquerdista gratuita. Mas acertava no alvo. Como se está a ver.

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PCP: Luta entre duas linhas ou desmanchar de feira?

 

Francisco Martins Rodrigues
Política Operária n.º 24, Mar-Abr 1990

 

A imprensa esforça-se por criar suspense em torno das lutas entre “ortodoxos” e “liberais” que rodeiam a preparação do próximo congresso do PCP, como se estivesse em jogo uma opção decisiva entre duas linhas antagónicas. Mas quem acompanhe os destinos da esquerda e do movimento operário e não tenha esquecido o percurso desse partido, particularmente depois do 25 de Abril, sabe que o antagonismo é muito relativo.

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